sexta-feira, 30 de março de 2018

Cigana Yara



A cigana Yara é um verdadeiro encanto, muito graciosa e educada.

Essa entidade é mestra na cartomancia.

Costuma ajudar muito seus médiuns, e é de uma generosidade
incrível.

Excelente conselheira, não costuma trabalhar a magia e nem pedir oferendas.

As ciganas que trabalham com a cartomancia, indicam possibilidades de escolhas aos consulentes, e por isso mesmo, ele deve trilhar e conquistar seu caminho, com suas próprias forças.

A cigana Yara, embora especialista nas artes divinatórias, só revela o que pode e deve ser revelado, no momento oportuno. Mas sempre tem uma palavra amiga.

Em suas manifestações, não costuma dançar muito, prefere ficar sentada, lendo as cartas ou simplesmente "observando".

Outra característica sua é a simplicidade e a modéstia.

Sorte do médium que tem cigana Yara como mentora, e segue seus conselhos.

É muito fácil e gratificante trabalhar com essa entidade.

Claudia Baibich

Cigana Yasmim





CIGANA YASMIM

Um grupo de ciganos chegou ao Chipre, a pérola do Mediterrâneo.

Conta uma lenda antiga que Vênus, a deusa da beleza e do amor, nasceu das águas espumejastes de Chipre.

Não é difícil compreender por que os antigos acreditavam nesética fabula; a ilha, fulgurante de luz e de cores, circundada por um mar límpido e azul, é realmente um lugar encantador.

E esse lugar tão lindo foi testemunha de um acontecimento com a cigana Yasmim.

O grupo Natasha estava acampado em Limassol, quando as moças do grupo foram para a “água grande”(a praia) para se banhar e se divertir.

Em dado momento, a cigana Nazira veio correndo e gritando desesperadamente:

- A água grande levou a cigana Yasmim!

Correram todos do grupo para a água grande, para socorrer a cigana, mas nada viram: o mar havia tragado seu corpo.

Então, o Kaku revelou a todos que a cigana havia morrido.

O grupo todo se ajoelhou e começou a rezar.

Permaneceram ali para esperar que a água grande devolvesse o corpo da cigana.
Passaram-se vinte e um dias e nada aconteceu.

Quando se completaram vinte e três dias, á noite, a Lua cheia surgiu e clareou toda a ilha.

O cigano Vlaz, que era o pai de Yasmim, foi para a areia e começou a rezar de olhos fechados.

Em dado momento, abriu os olhos e avistou um peixe grande que, pulando, veio em sua direção.

Ele ficou paralisado com o que via.

A cigana Yasmim sai das águas e se dirigia a ele, dizendo:

- Pai, não fique triste. Eu não sou mais da terra, e sim as água grande. Não fique esperando meu corpo, porque ele foi engolido pelo peixe grande. Estou feliz e daqui protegerei todo o grupo Natasha. Peça a Kaku que levante o acampamento e eu irei levá-los para um lugar que tenha mais terra; e que nunca mais o grupo Natasha acampe num lugar cercado de água grande (em ilha).

Yasmim deu ao pai uma concha grande e pediu que a entregasse ao Kaku como prova de tudo o que ela dissera; e, voltando para a água grande, desapareceu.

Vlaz foi para o acampamento e revelou o acontecido ao Kaku.

Na manhã seguinte, o Kaku revelou o acontecimento para o grupo e resolveram levantar acampamento.

Embora tristes, sabiam que, daquele momento em diante, a cigana Yasmim seria sua protetora na água grande.

Quando os ciganos se despediram de Chipre, o povo da localidade ofereceu para cada cigano um pão.

Essa é uma tradição da ilha.

Depois, os ciganos foram embora de Chipre, viajando em cima da água grande para outros países.

È por esse motivo que o grupo Natasha tem um enorme respeito pelo mar; é por isso, também, que os membros do grupo não energizam pedras em águas salgadas e evitam se banhar no mar.

No dia 02 de fevereiro, o grupo Natasha leva para o mar presentes para a cigana: comida, doces, Frutas, perfumes, pó-de-arroz, sabonete.

Também faz um coração de flores brancas e oferece a Yasmim nas águas grandes.

Todo o grupo se ajoelha na areia da praia e reza em agradecimento, pedindo proteção.

Fazem isso porque essa história se passou no dia 02 de fevereiro de 1902, quando o Kaku era o cigano Romão, avô da cigana Yasmim.

Yasmim tinha pele clara, cabelos e olhos pretos.


Suas Roupas
Iasmim usava vestido longo na cor azul-celeste, com mangas bufantes que iams cotovelos.


Seus Adereços
Ela trazia na cabeça, em dias de festa, um diadema de pérolas.Nas orelhas usava brincos de ouro, com águas-marinhas e pérolas.


Sua Magia 
Essa Cigana fez a passagem muito jovem, mas já tinha suas cartas com os símbolos do seu clã.


A fase da Lua da sua preferência era a cheia.

Suas oferendas devem ser colocadas sempre em frente ao mar e, se for possível, sempre no dia dois de fevereiro: foi nesse dia que foi para o mundo espiritual, no mar, próximo a Ilha de Chipre.

Nunca devem ser colocadas velas coloridas para essa Cigana, pois ela só aceita velas azuis.


Autora: Ana da Cigana Natasha

Livro: Ciganos do Passado Espírito do Presente
Editora: Pallas

Postado no Setembro 21, 2007 de alexdeoxossi


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Cigana Yasmin


A DÔCE CIGANA YASMIN APRESENTA-SE COMO UMA JOVEM MULHER, PELE MORENA CLARA, CABELOS LONGOS E E NEGROS.

É MUITO SUAVE AO FALAR E CARINHOSA COM TODOS.


VIBRA NA COR AZUL E VERDE.


PREFERE OS METAIS PRATEADOS AOS DOURADOS, USA TORNOZELEIRA, BRINCOS E PULSEIRAS, NÃO USA LENÇOS.

GOSTA MUITO DE DANÇAR, AS VEZES LÊ AS CARTAS EM SUAS CONSULTAS.

EM SUA MANIFESTAÇÃO NA UMBANDA, TRABALHA CRUZADA COM IEMANJÁ.

ATUA MAIS NOS CASOS DE AMOR, QUE EM OUTRAS QUESTÕES.

AJUDA COM SUA DÔCE MAGIA A ESQUECERMOS AMORES NÃO GRATOS.

CLAUDIA BAIBICH


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Cigana Yasmim

Yasmim tinha pele clara, cabelos e olhos pretos.

Suas Roupas
Usava vestido longo na cor azul-celeste, com mangas bufantes que iam até os cotovelos.

Seus Adereços
Ela trazia na cabeça, em dias de festa, um diadema de pérolas.
Nas orelhas usava brincos de ouro, com águas-marinha e pérolas penduradas, e no pescoço, um colar de águas-marinha e pérola.

Sua Magia
Essa Cigana fez a passagem muito jovem, mas já tinha suas cartas com os símbolos do seu clã.


A fase da Lua da sua preferência era a cheia.

Suas oferendas devem ser colocadas sempre em frente ao mar e, se for possível, sempre no dia dois de fevereiro: foi nesse dia que foi para o mundo espiritual, no mar, próximo a Ilha de Chipre.
Nunca devem ser colocadas velas coloridas para essa Cigana, pois ela só aceita velas azuis.


Por Ana da Cigana Natasha

Cigana Esmeralda

A cigana Esmeralda é de uma benevolência profunda, protege as pessoas que fazem trabalhos voluntários e que são voltadas para a caridade.

Sempre pronta a ajudar aqueles que são excluídos e oprimidos na sociedade.

Seus médiuns são pessoas muito especiais, que devem seguir o caminho da caridade, evitando à todo custo a ganância e a frivolidade.

Esmeralda recebeu esse nome devido à riqueza que sua gestação significou para seus pais e à sua beleza.

Trabalha com velas verdes, ervas, pedras verdes, maçãs verdes, uvas verdes, pêras, incensos, água, vinho branco e rosas brancas.

Recebe suas oferendas em bosques ou parques bem cuidados.
Sua magia é muito voltada para a saúde.

Não perturbe a entidade com pedidos caprichosos, recorra à Cigana Esmeralda,quando necessitar verdadeiramente.

Claudia Baibich

CIGANA CRISTAL

A respeito da Cristal - sabemos que é uma grande Falange desta Ciganaa quem trato de Eliana, é uma Cigana menina, que desencarnou por conta de uma grave infecção generalizada, desde cedo.

A partir dos nove anos de idade, Cristal tinha vidências e previa o futuro, muitas vezes desastrosas das pessoas que a cercavam.

Até os vinte e dois anos de idade, viveu o tormento dessa Mediunidade, morando e vivendo em vários lugares.

Considerando seu apreço à beira mar e as àguas dos rios.

Seus Médiuns geralmente são pessoas sencinveis, medrosas e sujestionadas.

Quem carrega a Cigana Cristal, deve se preocupar em trabalhar a alta estima, pois são muito influenciada, pela opinião de quem as cercam.

Quanto ao seu Clã, Ela mesmo não se permite falar.

Daí Ela canta assim:

Foi numa noite de lua
Noite de lua cheia
Ele seduziu a mulher
E a mulher a Ele se entregou
Antes que a lua se deitasse no horizonte
Antes que o dia amanhecesse
Iniciaram a minha existência
Mas como não se amavam
Me fizeram
Sou filha da paixão
E vivo a paixão
Sem perfume vêm do mato, das ervas que seduzem.


Sua cor preferida é o rosa, suas jóias sempre prateadas ou de ouro branco, com pedras de topázio.

Amados, estou falando da Cristal, que conheço, não querendo dizer com isso, que conheço todos os Espíritos da Falange da Cigana Cristal.

CIGANA DO EGITO - FLOR DE LÓTUS

“Conheço CIGANA FLÔR DE LOTUS, cujo seu nome verdadeiro, não me acho no direito de revelar, no entanto, posso dizer a você, que em todas as suas Incorporações, usa em seu braço esquerdo, uma pulseira e um bracelete de ouro. 

Veste-se com roupas de teciransparentes, túnicas e saias separadamente, de pouco falar de muito exigir.

Reza a sua Lenda, que foi abandonada por sua mãe, e que viveu até os seus 16 anos de idade, como escrava de um Faraó.

Desencarnou com uma doença grave de pulmão, hoje conhecidamente como Tuberculose.

Quanto aos seus restos mortais, o que impressionou, foi o fato, de que apesar de ser sepultada como simples escrava, seus olhos e seu útero, permaneciam intactos. 

É a Cigana que cura os problemas de visão, e dá fertilidade as mulheres estéreis.

Viveu na era Antes de Cristo. 

Fato que faz com que ela tenha alguma rejeição em relação ao Cristianismo.

Quem descobre o Segredo da FLÔR DE LOTUS, descobre a Chave da Plenitude da Vida Eterna. 

Descobrir o Segredo da FLÔR DE LOTUS é antes de tudo, não ter medo do que terá que enfrentar.

A FLÔR DE LOTUS é a certeza que precisamos de tudo e de todos para existirmos, ou seja, por mais que pareçamos independentes, só existimos porque as coisas em nossa volta existem. 

Algumas vezes sozinho, mas nunca solitários. Outras vezes triste, mas nunca deprimidos.”


Eis o PONTO

Tantas vezes quis
Tantas vezes pedi
De nada adiantou
Precisei olhar para cima
Acreditarem mim
E eu sorri para o sol
Para a lua
Bem disse a chuva
Bem disse aos ventos
Areias escaldantes
Queimaram meus pés
E assim aprendi
Que sou filha do tempo, do Faraó, de Alá, de Jeová…
E assim aprendi
A Vida é minha mãe
Mas é a Morte
Que me consola e me ampara
Quando minha mãe se despede…
Estar vivo é a grande certeza de que o 
Universo conspira a nosso favor!

Cigana Sulamita



CIGANA SULAMITA


Adora trabalhar só com frutas e com as folhas dos pés das mesmas frutas. 


Faz sua magia com folhas de maça, para o amor; folhas de pêra, para a saúde; folhas de uva, para união; folhas e flores de mamão, para afastamentos; umbigo de banana, para feitiços; folha de fruta-de-conde, para aproximação; folhas de laranja, para acalmar fúrias; folhas de caqui, para tirar o mal. 

Ela gosta de trabalhar com a fogueira, jogando nela as folhas secas, conforme o problema de cada um.

Sua pedra preferida é o quartzo-citrino, amarelo-ouro. 

Ela faz uma amarração para casamento colocando um pedaço desse cristal em cima de cada uma das folhas de maça, fruta-de-conde e uva-verde com que trabalha; depois, joga por cima flores de laranjeira. 

Ela afirma que o casamento sai antes de três Luas cheias.

Sulamita, que Bel-Karrano (Deus-Céu) ilumine muito seu espírito para que você possa ajudar quem precisa de sua ajuda.

Livro :
- Mistérios do Povo Cigano - de Ana da Cigana Natasha e Edileuza da Cigana Nazira. Ed. Pallas.

Cigana Sarita



CIGANA SARITA

Era morena, de cabelos e olhos pretos.

Usava os cabelos presos em uma trança que caía pelo lado esquerdo do pescoço, indo até a cintura, e que tinha as pontas enfeitadas com fitas finas coloridas.

SUAS ROUPAS
Sarita usava blusa vermelha, curta, com mangas bufantes.

Na cintura levava uma faixa de várias cores.

A saia era feita até a metade com pano estampado; o resto era de pano liso amarelo, montado em babados cujas barras eram recortadas em bicos.
SEUS ADEREÇOS
Ela usava na cabeça um lenço estampado, predominando o amarelo-ouro; em dias de festa punha em cima do lenço uma tiara de flores vermelhas.

No pescoço ela trazia muitos colares de pedras em várias cores, predominando a vermelha.

Nas orelhas usava grande argolas de ouro; no dedo indicador da mão direita, um anel de ouro com um rubi e no mesmo dedo da mão esquerda, um anel de ouro com um topázio amarelo.

SUA MAGIA
Para unir um casal com filhos que se separou a cigana Sarita costumava fazer o seguinte: em um pote de barro com tampa ela colocava água de rio e triturava a semente do timbó-mirim (ou anileira verdadeira), produzindo uma água azulada (também se pode utilizar anilina azul para confeitos).

Nessa água ela colocava um papel com o pedido para juntar o casal, adicionava açúcar e um punhado da erva amor-agarradinho e, então, tampava o pote.

Em seguida, acendia duas velas amarelas em cima da tampa e dizia:

“Junte estas pessoas novamente, Santa Sara, pois eles tem (dizia o número de filhos) filhos que não pediram para vir ao mundo.”
Ela repetia esse pedido por sete dias seguidos.

Depois, enterrava o pote próximo de uma arvore frondosa e frutífera.

A fruta da sua preferência era maçã vermelha, e a fase da lua era a cheia.

Autora: Ana da Cigana Natasha
Livro: Ciganos do Passado Espírito do Presente

Editora: Pallas

Cigana Sarita

Sarita acordava sentindo o cheiro das flores que trazido pelo vento que balançava a alva cortina da janela.
O sol estava radiante lá fora e embora ela já estivesse sentindo-se bem melhor, ainda não tinha coragem de sair da cama.
O quarto aconchegante na sua simplicidade, era convidativo ao descanso.
Absorta em seus pensamentos, nem percebeu a presença do enfermeiro que entrara com o seu desjejum e que parado a observava.
Olhava os pássaros que pulavam de galho em galho num festival de alegria, como a saudar a vida, quando foi desperta pelo " bom dia" de Raul.
- Oh...desculpa eu estava distraída.
- Encontrá-la acordada é muito bom. Vamos ao desjejum pois hoje nós vamos levantar desta cama e ensaiar os primeiros passos no seu novo mundo.
- Não me sinto capaz de caminhar ainda. Na verdade não sinto minhas pernas.
- Sarita, já conversamos sobre isso. É apenas impressão trazida no seu corpo mental. Você só precisa tomar uma decisão firme que quer caminhar e assim se processará. Essas pernas que te acompanharam além túmulo são saudáveis. Foram longos anos de dor e sofrimento, mas agora tudo acabou, é preciso que se conscientize disso e reaja.
Com a paciência e disciplina de um instrutor, Raul conseguiu com que Sarita desse seus primeiros e cambaleantes passos.
E em poucos dias entusiasmada com a beleza do local, esqueceu da suposta limitação já caminhava feliz por aquele maravilhoso jardim, que mais parecia um bosque.
Passara-se alguns anos do calendário terreno desde essa época e Sarita lembra-se ainda emocionada de sua história triste com final feliz.
Não havia como não recordar, especialmente agora que estava em treinamento naquela colônia espiritual para assumir um trabalho junto aos encarnados.
Apreensiva lembrava da manhã em que foi convidada a frequentar os bancos escolares, por seu " mestre-anfitrião" .
Como estivesse já ambientada com o local e sabedora de como eram distribuídas as funções de acordo com a afinidade e principalmente necessidade de cada espírito, sabia perfeitamente que não seria chamada ao trabalho de "anjo-de-guarda" , mas tendo a certeza de que suas funções se dariam no plano terreno, isso a atemorizava um pouco, pela experiência da última encarnação.
No curso, os ensinamentos todos recebidos eram perfeitamente adaptados ao aluno de acordo com as experiências trazidas e no final deste, Sarita não tinha mais dúvidas.
Trabalharia nas fileiras da nova religião que se instalava no país onde vivera sua última encarnação, a Umbanda.
Pelo seu conhecimento magístico mal aproveitado, teria que direcioná-lo agora para se fazer cumprir a lei.
Em breve seria apresentada ao médium com quem trabalharia como Pomba Gira, mas de antemão já sabia que embora ele fosse umbandista, tinha preconceito com essas entidades.
O desafio recomeçava.
Olhando a lua que bailava por entre as estrelas, Sarita deitada sobre a relva meditava, fazendo uma retrospectiva de sua última encarnação.
Lembra-se de sua infância feliz vivida junto de muitas outras crianças, naquela vida nômade que levava sua trupe.
A adolescência onde seus "dotes" ou poderes mágicos se acentuaram e quando começou a ser a cigana mais requisitada para ler as mãos das pessoas.
Sua tenda, onde quer que estivessem havia sempre freguês certo e era através dela que obtinham a maior renda para a sobrevivência do grupo todo.
Após febre muito forte sofrida em função de uma infecção adquirida, Sarita sentiu que seus "poderes" de adivinhação haviam sumido, mas de maneira alguma deixou aparentar isso ao grupo ou a quem fosse e daí em diante passou a fingir e cobrar mais caro por isso.
E o dinheiro fácil passou a entusiasmá-la e como sempre fora muito vaidosa, agora podia se cobrir com as jóias mais caras e deslumbrantes e vestir-se com as sedas mais finas.
Tornou-se a cigana mais respeitada e logo assumiu o comando do grupo.
A ternura angelical daquela jovem agora desaparecia, dando lugar a um radicalismo quase maldoso quando agia em defesa dos seus.
Seu povo era muito perseguido e discriminado naquelas terras e isso fazia com que Sarita procurasse ganhar muito dinheiro e para tal não media consequências, para com isso adquirir poder se impor diante das perseguições.
Numa emboscada que se fez passar por um acidente, Sarita desencarnou deixando seu povo sem líder e desesperado.
A dependência de seu povo era tamanha que não sabiam mais pensar sozinhos e a morte daquela cigana a quem consideravam quase uma deusa os pegou desprevenidos.
E nesse desespero buscavam a ajuda do espírito de Sarita, pois acreditavam que agora virara santa e que certamente, mesmo do outro lado, ela não desampararia seu povo.
Em função disso criaram cultos e os peditórios foram aos poucos, se espalhado além do povo cigano e o túmulo de Sarita virou santuário, com filas enormes de pessoas que se aglomeravam em busca dos milagres.
Ignorando a realidade do lado espiritual, não sabiam o mal que estavam fazendo aquele espírito que desesperado se via fora do corpo carnal, mas grudado nele, sentindo sua deterioração.
Em desespero total e agarrada as suas jóias com as quais foi sepultada, Sarita pedia socorro.
Os amparadores espirituais lá estavam querendo ajudá-la, mas ela sequer os enxergava dentro do seu desespero e revolta pelo acontecido.
Ouvia toda a movimentação que se fazia fora de seu túmulo e por mais que gritasse, ninguém a ouvia.
Se existia inferno, o seu era esse.
Tudo aquilo durou longos e tenebrosos anos, até o dia em que seu túmulo foi assaltado durante a noite e os ladrões levaram suas preciosas jóias.
Em desespero, assistindo a tudo nada podia fazer, restando-lhe apenas um monte de ossos.
Só então se deu conta de sua verdadeira situação e lembrou do que sua mãe a ensinara quando pequena sobre a vida após a morte.
A lembrança de sua mãe a fez chorar, implorando que ela a viesse tirar daquele sofrimento.
Depois disso desacordou e só após muito tempo hospitalizada no mundo espiritual é que acordou, sabendo do isolamento que se fizera necessário em função das emanações vindas da terra, por causa de sua falsa "santificação".
Seu povo agora usava a imagem da idolatrada Sarita em medalhas que eram vendidas como milagreiras, além de manter seu túmulo como verdadeiro comércio visitado por caravanas vindas de lugares distantes.
Lembrava do dia em que, já curada e equilibrada pode visitar aquele lugar junto com seus amparadores, para seu próprio aprendizado e das palavras sábias de seu instrutor:
- Filha, o mundo ainda teima em manter os mercadores do templo. Criam-se os milagreiros que após o desencarne passam a ser santificados de maneira egoísta e mesquinha, preenchendo o vazio que a falta de uma fé racional se faz no coração dos homens. Mentiras mantidas por pastores que visando o brilho do ouro, traçam caminhos duvidosos e perigosos para suas ovelhas, dando com isso, imenso trabalho à espiritualidade deste lado da vida. Criam uma farsa que é mantida pelo desespero de pessoas ignorantes e sofredoras, obrigando-nos a formar verdadeiros exércitos de trabalhadores com disponibilidade de atendimento a essas criaturas. Mesmo assim, por mais errado que seja esse tipo de atitude, a Luz o aproveita para auxiliar os necessitados mantendo ali um pronto socorro. E fora o sofrimento do espírito "santificado" que se vê vivo e impotente do outro lado, aliado a distorção comercial, esses lugares servem para que muitos espíritos encontrem ali o portal de retorno.Sarita tentando manter o equilíbrio e as emoções, via o intenso movimento de espíritos trabalhadores, socorrendo os desencarnados que vinham em bando junto aos romeiros e observava pela primeira vez como aconteciam os chamados milagres.
Uma senhora chorosa, ajoelhada aos pés do túmulo implorava pelo espírito de Sarita a cura de sua filhinha que estava ficando cega devido a uma doença rara que exigia cirurgia caríssima, longe de suas possibilidades financeiras
A fé dessa mulher e o a amor por sua filha eram tão intensos que de seu cardíaco e de seu coronário exalavam chispas luminosas que se perdiam no ar.
Ao seu lado, dois espíritos confabulavam analisando uma ficha com anotações e logo em seguida um deles, colocando a mão sobre a cabeça da mulher transmitiu-lhe vibrações coloridas que a acalmaram, intuindo-a a ter a certeza de que seu pedido seria atendido.
Deixando algumas flores sobre o túmulo ela se retirou.
Curiosa, fui ter com os dois jovens, querendo saber o que realmente acontecia nesses casos.
- Minha irmã, analisamos cada caso e dentro do merecimento de cada espírito e de acordo com a fé e sinceridade de propósitos, sempre respeitando a lei e o livre-arbítrio das criaturas envolvidas, procuramos auxiliar. Essa senhora será procurada por um grupo de estagiários de medicina que mesmo como cobaia de seus estudos, levarão sua filha a cirurgia que necessita, retornando a ela a visão.
- Ah, e certamente isso será atribuído a mim como mais um milagre.
- A você? - indagou contrariado um dos jovens.
- Sim...ah, me desculpem, não me apresentei. Sou a própria, a cigana Sarita.
- Nossa, que surpresa!!! Muito prazer! Não é todo dia que se conhece uma "santa", brincou o outro.
Com um sorriso amarelo, Sarita tentou em vão desconversar, pois agora a curiosidade deles era maior do que a dela em saber detalhes de como tudo isso havia ocorrido.
E longe dali, em lugar mais propício, junto à natureza eles trocaram válidas experiências.
Mas agora tudo isso eram lembranças.
Aquele espírito em cuja última encarnação terrena viera como uma cigana que se chamava Sarita, agora no mundo espiritual se comprometia e assumir um trabalho difícil no qual sentiria de perto, novamente o preconceito dos seres humanos.
Preconceito esse tão grande e revestido de tamanha ignorância que certamente muitas vezes seria tratada como verdadeiro "demônio" sendo expulsa como tal.
Mesmo assim, sabia que teria que atuar dentro da lei e ignorando tudo isso, trabalhar com muito amor, auxiliando os encarnados a se curarem das mazelas, pois só assim curaria as suas que estavam impressas em seu átomo primordial, carecendo de urgente reparo.
Enquanto seu médium girava no terreiro ecoando uma gargalhada que avisava a chegada de pomba gira cigana, romeiros continuavam buscando no túmulo da Santa Cigana Sarita, o milagre que ignoravam residir apenas dentro deles mesmos.


História contada por Vovó Benta